Lentes, filtros e valores

Nossas convicções, também chamadas de crenças, são as lentes e os filtros que usamos para descrever e interpretar o que vemos e o que sentimos. A partir delas assumimos nossas posturas diante do que vivemos. É a forma como a realidade se apresenta no campo individual. Normalmente é um pensamento que temos e que repetimos mentalmente e algumas vezes até verbalizamos.

O modelo mental que adotamos foi construído ao longo de nossa vida, recebeu influências e interferências dos nossos contextos familiares, dos ambientes das várias experiências e relações, e é atualizado diariamente. Existem convicções que nos fortalecem e outras que limitam nossas ações, e ambas impactam com força os resultados que podemos obter. Cabe refletir se as crenças que alimentamos nos  impulsionam ou nos atrapalham. São pensamentos que nos fazem duvidar de nossa capacidade, potencial, força e determinação? São pensamentos que nos dão confiança, poder e coragem para realizar?

Quando estamos diante de uma situação que nos oferece risco ou que exige uma postura que nos tire da zona de conforto ficamos frente a frente com a crença que nos limita.

É comum perceber que as crenças não têm embasamento lógico ou científico. Elas são tomadas como regras sem questionamentos.

Toda a sua vida é moldada por aquilo que você acredita. Esteja você ciente ou não.(Nanda Peris)

Os valores guiam cada decisão que tomamos, e, assim, guiam o nosso destino. Quando temos consciência do que é mais importante para nós, nossas decisões e escolhas tendem a nos levar ao encontro de nossas melhores realizações. Os valores funcionam como uma bússola apontando as direções em nossa jornada.

Podemos definir objetivos sem levar em consideração o que nos realiza na vida e isso provavelmente nos levará a situações de desconforto e irritação. Mesmo quando não percebemos, dia após dia,procuramos atender ao conjunto de valores que habilitamos, então, é mais sensato que eles representem uma escolha atenta e consciente. Investigar, esclarecer e recombinar os elementos desse conjunto é uma organização básica para atualizarmos nosso esquema referencial.

O conhecimento sobre esse tema contribui para termos lucidez sobre os motivos porque fazemos o que fazemos, e, como desdobramento natural, contribui para termos clareza para escolher fazer diferente e viver nossa jornada de vida com a maior coerência que pudermos alcançar. Uma vez que entendemos quais são os nossos valores e qual a importância de cada um deles, bem como sua hierarquia para nós, então podemos mudar, reformular, adotar novos valores ou fortalecer aqueles que revalidamos, alguns, talvez, surgidos ou definidos em momentos decisivos em nossas vidas.

É também valioso identificar os valores que regem as pessoas com as quais nos relacionamos.

Os valores também podem ser os votos e compromissos que fazemos internamente e que guiam todos as nossas relações.

A sensação de saber que fizemos o que acreditamos ser a coisa certa a fazer é balsâmica.

Cada vez que um valor nasce, a existência assume um novo significado. Cada vez que um valor morre, uma parte desse significado desaparece.” (Joseph Wood Krutch)

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