Impermanência

‘O ser humano tem necessidade de coisas duradouras, constantes, permanentes. Isso nos dá segurança, tranquilidade, uma certeza de continuidade. É reconfortante saber que as coisas vão permanecer estáveis para sempre. Contudo, as estações do ano mostram que todas as coisas são mutáveis e nada é permanente. Ou, de outro modo, tudo é impermanente.

O que ocorre é que nós, seres humanos, somos apegados às pessoas, às coisas e às situações. É comum querer que as coisas sejam permanentes. Muitas vezes, preferimos a ilusão do duradouro à realidade da mutação e da impermanência. Queremos que a vida seja do jeito que idealizamos e não do jeito que a vida é. Lidar com a impermanência é um exercício de aceitação da realidade.

Desejar que um objeto, uma pessoa, ou uma parte da vida nunca se altere é aleijar a existência. Como nada na Natureza existe de forma isolada, tentar manter algo inalterado é impedir que ele continue seu processo de evolução. Pior: todas as coisas que estão interligadas com esse algo também serão prejudicadas.

A Natureza nos mostra a todo instante que a impermanência é um fato e uma necessidade. Pode ser uma realidade difícil de se aceitar, mas é a realidade. A consciência da impermanência exige de nós o acolhimento da realidade e o exercício de se desapegar das pessoas, dos objetos e das situações. Das ideias e ilusões também. É interessante notar como as ideias e as ilusões são coisas das mais difíceis de se renunciar nesta vida. Mas ilusões são ilusões e não realidade.’

Roberto Otsu

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